A música sempre esteve presente na vida de Marcos Fernandes de Omena, nascido em São Paulo, em 17 de agosto de 1973. Aos 13 dias de vida, foi adotado por Dona Marina, com quem teve uma relação difícil durante a adolescência. Criado na favela do Calux, em São Bernardo do Campo, viveu uma infância cercada de simplicidade, amigos e brincadeiras.
Nos anos 90, foi nos bailes e nas ruas que conheceu o rap e se identificou com a mensagem dos Racionais MC’s. Com 17 anos, criou o grupo Snake Boys, que depois se tornaria Tribunal Popular, levando às ruas vozes e letras de denúncia social.
Em 1991, assume o nome Dexter, inspirado no filho de Martin Luther King e no significado de destro, sagaz e esperto.
Em 1993, o grupo participa da coletânea Projeto Rap Brasil Volume 1 com a música “Animais Irracionais”, marcando sua entrada na cena do rap nacional. Com dificuldades para seguir na música, Dexter busca outros caminhos e em 1998 é preso.
Mesmo encarcerado, segue acreditando em seu sonho. No presídio, participa do projeto Talentos Aprisionados e cria, junto de seu parceiro de cela, o grupo 509E, que lança o álbum Provérbios 13, ultrapassando meio milhão de cópias vendidas.
Em 2005, lança seu primeiro disco solo: “Exilado Sim, Preso Não”, que conquista prêmios como “Melhor Álbum do Ano” e impulsiona sua carreira. Ainda no regime semiaberto, grava seu primeiro DVD ao vivo, com participações de grandes nomes do rap.
Em 2011, conquista sua liberdade e inicia uma nova fase, com shows em todo o Brasil, participações em eventos importantes como a Virada Cultural e o Encontro Paulista de Hip Hop. Em 2013, grava o DVD “A Liberdade não tem preço” e participa de projetos com Racionais MC’s, MV Bill e O Rappa.
Em 2016, lançou o álbum “Flor de Lótus”, projeto que marcou também a criação de sua própria produtora, a Oitavo Anjo Produções, reunindo participações de Péricles, Ed Motta, Rappin’ Hood, entre outros grandes nomes da música.
Hoje, Dexter é reconhecido como uma das vozes mais importantes do rap nacional, transformando a dor em arte e a arte em inspiração para milhares de pessoas.
Uma das formas mais reais e convincentes de passar seu saber é por meio de sua própria história, sendo um referencial. Dexter sabe bem o que é isso.
Em sua palestra, “O Destino de Réu”, que leva o nome de uma de suas canções, o rapper conta suas experiências, além de conscientizar os mais diversos públicos sobre a dura realidade das periferias.
Uma apresentação tão encantadora quanto seu show, que mostra o poder transformador existente na cultura, especificamente na cultura hip hop, por meio do rap.
A palestra tem início com um pouco da história de sua infância humilde, em São Bernardo do Campo, e relata também sua adolescência, as ilusões que o levaram para o cárcere, o sucesso nos anos 90, a liberdade e, por fim, a volta por cima.
Se todo artista enfrenta dificuldades para sair do anonimato, com Dexter não foi diferente. Mas, hoje, ele celebra uma carreira sólida e o reconhecimento do rap como música, sendo elogiado por grandes nomes como Paula Lima, Péricles e outros.
Como aconteceu com ele, pode acontecer com outros jovens que estão esquecidos em um canto qualquer do Brasil e, quem sabe, do mundo. Por isso, esta palestra segue uma linha motivacional, além de cultural e social.
O projeto “Como Vai meu Mundo?” teve início em Janeiro de 2011 e foi idealizado por Dexter e seu amigo Eduardo Bustamante, a pedido do, até então, Juiz Titular da Vara de Execuções criminais de Guarulhos, Dr. Jaime Garcia dos Santos.
A proposta é introduzir no sistema carcerário a perspectiva iluminadora da arte, por meio de uma metodologia dividida em 2 fases:
Fase 1: Arte, Cultura e Expressão, onde os reeducandos dialogam sobre a importância da arte como meio de expressão.
Fase 2: Comunicação e Informação, onde os reeducandos desenvolvem um olhar crítico sobre a grande mídia, além de entender as possibilidades midiáticas de produção e seus recursos. Neste ciclo, eles participam de oficinas de Rádio e TV, Cinema, Jornalismo, Internet e Redes Sociais.
O plano de trabalho se inicia com o foco na abordagem do hip-hop. Mas, com o tempo, vai se diversificando e apresentando novas linguagens e possibilidades de trabalhos.
Público alvo: Presos com idade entre 18 e 60 anos. Sendo atendidos, na grande maioria, jovens entre 18 e 29 anos.
Já foram realizadas 4 edições do projeto, cada uma com a duração de 6 meses. Edições essas que contaram com o trabalho voluntário de mais de 60 pessoas, além da colaboração de grupos musicais, representantes do poder público e veículos de comunicação.
Passaram pela formação mais de 800 reeducandos e 80% deles já estão em liberdade e trabalhando.
Além de Certificados, foi entregue a essas pessoas o direito de acreditarem em si mesmas. Foi dada a elas uma nova oportunidade de aprendizado e conhecimento, para que pudessem usar, positivamente, quando estivessem em liberdade.
Para Dexter, Eduardo e Dr. Jaime, investir no ser humano é o melhor caminho para as mudanças que queremos ver na sociedade.